Coisas escritas

reflexões da Benedita Maldita

Jornalistas

Querido meu amor,

Amor, afinal o nosso cão é um gato! A tua sogra enganou-nos quando nos disse que o neto dela tinha tido uma ninhada de um cão. Ó amor, agora não sei que faça…ainda ponderei, sei lá, queimá-lo sem querer com óleo de fritar chouriço, ou com a ponta de um cigarro que o teu pai fuma, sei lá, qualquer coisa que faça aparecer na televisão e adoçar as beiças dos jornalistas e ouvi-los dizer: “…ah….hmm afinal..eehh…ojje…ahh…ajj..o filho da Teresa..aahh…a menina…ahh…hmmm..ujj..a criança que os pais abandonaram e esfaqui…ahhh…esfaquiaram…ahhh…e agora vou tentar falar…ehhh….aqui com uma vizinha…ahhh…vizinha, diga, conhecia o cão ahh…que afinal hmm..ujje ….era…ah…um gato?? “Á” quantos…..Anos a conheciam?? E era boa pessoa? Ehhh….a bebé…hhmm…a Teresa…a criança que morreu atrocidada pelo ponta, aliás, pela ponta de …ahh…um …ahhh…cigarro…..eeehh….afinal uje…aje avó era mesmo a mãe da sogra do gato?”
Ai amor. Ficamos com o gato para nos pouparmos desses gajos?
?

gato

Abril 29, 2007 Publicado por Benedita Maldita | contos | | Sem comentários ainda

Anjos Ruidosos

Uma célula, pequena e minúscula a olho nu, aquela que se esquece de se vestir no início do dia, da manhã, da vida, da constelação, no dia em que o universo soltou o último grito e que a partir da curiosidade e virilidade de certos curiosos pela vida humana, mais sintetizadamente o respirar da vida feminina e seus sons emitidos, particularidades que nos momentos actuais seria mais difícil, porque o único som que os homens pretendem ouvir é o das suas próprias orelhas e tímpanos e por isso talvez nunca cheguem a geniais descobertas. O ventre universal solta angustiado a melodia surda, composta por ondas harmoniosas desde o seu centro à superfície, porque as células são centros que se expandem desde o calor provocado pelo gigantesco e irreversível micro-ondas, este aquece desde o centro àquilo que se torna fútil e vulgar.
Cada célula, cada átomo, cada ser, cada planeta se insurge da explosão, muda para muitos, ensurdecedora para mim, inadequada para outros, mas aquando atentos acabaremos por ficar esturricados por este formidável aniquilador de metais… cuidado com aquilo que vestimos logo de manhã, da vida, da constelação…o metal que as nossas indumentárias se nos enfeita, é o mesmo que fará com que alguma subordinada revoltada pela mera injustiça da vida que não a mereceu, nos exterminará, mais cedo ainda que a vontade tem o próprio sol de nos abandonar, mas este aquece-nos logo à superfície, não é um sacana hipócrita como o sonso que nos provoca a febre nascida do centro de alguma coisa. O grito de um potro será a pauta de um amanhã daqui para alguns anos e tempos.

Abril 14, 2007 Publicado por Benedita Maldita | contos | | 1 Comentário