Elias, o Cão
O meu cão, o Elias, hoje acordou com a cauda apontada para o subsolo. percebo logo assim que o meu ângulo de visão o detecta…ora, o tipo, que é um inerte, nada faz, mas põe sempre o despertador para as 7.00 da matina. Desliga-o com a cauda, circula a língua pelo focinho, entorna baba pelo acrílico do chão (mancha tudo, o tipo) e diz: “ahhh, onde está a comida?” seguido de um sonoro arroto. Hoje nem arrotou….desconfio logo. Viu-me, por acaso cruzou-se por mim no corredor, nem “olá” disse….o gajo…era o que mais me faltava…”que foi? Estás a olhar para mim?? vê lá se queres que fale francês…ai, mau mau!” E eu, bem, o melhor é ignorar. Coçou algumas pulgas, deslizou as patas, sacudiu o focinho e acendeu um cigarro.” ó anormal, não sabes que o tabaco mata?”, argumentei eu, preocupada com a saúde dele. Ele nada! Ignorou-me e ainda por cima pôs-se a roer os chinelos do meu falecido companheiro, que o trouxe cá para casa e podia era tê-lo levado com ele…”ai mata?? mas quem morreu foi o teu maridinho, que levava uma vida saudável. Valeu-lhe de muito! tss tss!”. O anormal a pensar assim nem olha para os lados ao atravessar numa passadeira e com o sinal verde para peões. Olhem para ele. Não faz nada de nada. Acorda, come, bebe água, vai à rua, defeca e urina, deita-se e dorme o dia todo…vida de cão? Vida de cão é a minha, que nem cauda tenho para exprimir a minha disposição.
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