Fumo ou Vapor?
“O seu fumo incomoda-me!”. Olho para a voz de cabelo armado até ao candelabro, uns olhos parecidos com aqueles batráqueos que se costuma engolir vivos. “Como disse, minha senhora?”. Repetiu “O seu fumo incomoda-me, não entendeu?” A senhora ou é estrábica ou tem estrabismo intelectual. Permaneci indiferente. Farta de aturar loucos, bolas! Não me deixei consumir enquanto consumia a minha quente sopa de legumes e feijões. “Menina! o seu fumo está a incomodar a estrutura do meu penteado, quer fazer o favor de mudar de lugar?” Fumo? Vapor, minha senhora.
Analisando ao detalhe a velha senhora, os olhos de batráqueo estavam embaciados como um pára-brisas em tempo húmido.
Benedita: Desculpa, minha senhora, eu não me mudo daqui, a única solução é que me ajude a comer a sopa, para que o vapor se dissipe.
Senhora: Se a menina não se importar…agradecia até.
Pedi um prato e dividi a sopa. O vapor foi de boleia com a colher provocando lágrimas de tinta negra que contornavam o olhar, deslizando como lágrimas gota a gota na sopa.
Depois evaporou-se…
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