Lantejoula

O Adérito descalça a areia pequena e lantejoula dos colarinhos da blusa ao areal reflecte o sol, expõe a luz, o Adérito encerra os olhos com as mangas do vestido de tafetá da areia azul reflectida nos olhos do peixe que nada, nada faz, esconde nas meias a lantejoula do Adérito e pesca o cabelo fino de brilho luminoso perfumado de pequenos céus escondidos por jocosas nuvens, figuras que o vento lá em cima desenha e molda o algodão dos ares. A lantejoula espreme tecidos nos corpos vestidos de água fria de olhar tão frio, o peixe ignora o isco brilhante de dedos de sol. Atira as lantejoulas, Adérito! Atira-as e esquece-as, elas não são as tuas escamas, por ti não emanam luzinhas que acendeste e as deixas acesas até as confundires com o sol que te queima a sanidade. Cai, Adérito! Cai no isco real que o peixe distraiu para ti e nada, nada para longe da areia onde deixei o meu vestido de lantejoulas.
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