O Cão Facebocas.

Benedita: Meu cão! Onde foste para estares todo musculado e de saltos altos, pareces a lady caga!
Elias: Lady Caga? Analfabeta…bem te disse que devias completar o teu curso.
Benedita: Ó cão da escorja, quem és tu para me ditares conselhos de Junta de Freguesia? E essa coleira? Em redor do lombo?? Parolo de ilha, sarnento, cão rafeiro, comprei-te enganada!
Elias: ahahahahah, arf…au au
Benedita: Ladra e rosna de satisfeito, cão anormal! Um dia rapo-te o cabelo à jogador de futebol e cuspo-te numa passadeira qualquer.
Elias: Puts…
Benetida: Olha lá, excremento vadio! Já eu andava nas ladeiras, ainda tu não eras uma maqueta!
Elias: Já eu coçava as minhas pulgas e tu no sofá a ver telenovelas de chinelas da Hello Kity enfarinhada em bolas de batatas…arf au au…snif
Benedita: Vem cá cão estafermo! Adoro-te!! És lindo!!! Lindo!!! Lindo!!
Eilas: Ui, andas a focinhar muito o Facebook.

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O Pseudo Intelectual

O pseudo intelectual não é intelectual. Pensa que o é. É um pseudo.
O pseudo usa óculos graduados, de armação espessa como se usava nos anos 60, manda um certo estilo de que pensa para além da graduação. O pseudo quer parecer urso raro, o Panda com olheras das horas escuras a escrever e a ler e a pensar. Ele não pensa. Ele pensa que pensa para que nas fotos possa segurar a cabeça pensante, dedos sobre o queixo. A cabeça pesa. Pesa de pensar que a inteligência é matéria que se apalpa. Ele sustenta no bolso livros de Nietzsche e Brecht, ri pouco ou nada, rir é manha dos estúpidos, fraqueza dos parvos. O pseudo é sizudo. Veste mal. O brio não lhes pertence, é coisa de gente de direita, perfumada e aprumada. Espancam vistosos inteligentes com peneiras aristrocratas. Fala e abrevia leituras mal entendidas. O pseudo intelectual cheira a cravos mortos, como qualquer flor colorida de morte fácil. O pseudo é pseudo.

Lembra-te, cão! O que rosnas o osso sem pele.

Tenho a sensação da pulga dentro da orelha, como quem traz água à fogueira sem a intenção de a fundir. Não me fundas, cão, não me confundas sequer com a orelha coberta de verdete de ninhadas nadadoras harmoniosas na lagoa turva, turbulenta das braçadas que me confundes o coração quando respira e expira contra a minha mão, nadando além-fronteiras, além frios e chuvas, pingas esquecidas desde a íris ao canto do queixo inusitado, insultando a freio as palavras da boca cheia de tudo.

Costas Sem Cadeira

O evidente,

Escrevi tua alma com evidência

Suposta clara, direita franca como a iminência

Correcta como a coluna da tua cadeira

Encostado nas pernas cansadas

Cadeira cansada de fugacidade

Do teu amadorismo, do teu comodismo,

As pernas das costas da tua cadeira

Encostam as tuas peneiras, a tua coluna

Que sobra feliz a madeira ainda escura

Escura do tempo,

Do tempo que os teus ombros escondem o peso das tuas maleitas

Espaira…espaira sobre as minhas as tuas costas.

O Cão Sem Refrão

Elias: Estou de rastos Bé…estou de rastos…arff
Entra o cão rastejando as orelhas imundas nos meus calcanhares.
Benedita: Que foi que aprontaste desta? É aquela cadela que mora no outro lado da cidade e que nunca viste? Loucamente apaixonado sem sequer a conheceres?
Elias: O que eu lati em serenatas noites sem fim, a música que lhe dei…e agora segundo as línguas viperinas anda de amores por um vira-lata chamado Bobi de Niro. Ouvi latidos, rumores.
Benedita: Que querias tu, meu estúpido? Sempre empenhado e ocupado ajudando rafeiros no Canil Municipal! Ajudar desconhecidos…és burro cão!
Elias: Foram tantos os poemas e latidos uivados à minha musa desconhecida…
Benedita: Pois bem imbecil! Alguma vez foste ter com ela? Que bosta de cão és tu que não arreia as patas e cauda ao encontro da sua descabida paixão? De que material és feito? Lata? Vira-lata? Tens é pouca lata e muita ferrugem. Acção, cão! Estás a ficar demasiado humano.
Elias: Ela tinha que entender que sou um animal muito generoso e dou tudo! Tudo!
Benedita: Dás tudo e perdes o que realmente importa, meu andróide! Doar ossos e coleiras no Canil Municipal na iminência de seres traiçoeiramente mordido por raivosos e sarnentos? Dá aos teus, cão morcão! Primeiro aos teus! E essa tal cadela do outro lado da cidade, pelo que sei até mudou o tarifário para o Cão-Moche a teu pedido e só vinte minutos apressados e um “eu já te ligo, agora estou a passar por um túnel”. Morreste no túnel? Achas que a cadela te espera ainda?
Elias: Mas…eu tentei ligar uma semana depois…
Benedita: Uma semana depois??? Seria tempo suficiente para a donzela conhecer um Pedigree e criar umas cinco ninhadas! Ahahaha…que inércia, que regredido és! Inerte!
Elias: Ando muito ocupado, primeiro estão os meus necessitados, depois tudo se verá. Prometi que iria ter finalmente com ela, mas depois…não sei se merecia o sacrifício e ela mora tão longe. Ela que viesse ter comigo, igualdade de direitos e deveres!
Benedita: O quê? Enlouqueceste? Injectaram-te comodismo. Estás a tornar-te um humano desprezível, de palavras e pouca acção. Nem pelas desmedidas paixões vale a pena arrastar um metro da zona de conforto. És um deslumbrado, de rápidas emoções e de desinteresse mais veloz ainda. És amorfo, cão! Apaixonado por uma caniche que nunca viu…ganha tino, palerma!
Elias: Eu que lhe dei tanta música…
Benedita: E pelos vistos nem chegaste ao Refrão! Que esperavas? Elas não se contentam por latidos longínquos, elas anseiam provas concrectas, demonstração de dedicação, meu asno! Latidos e música? Poemas? Tem dó…nem tiveste curiosidade de morder as orelhas e snifar a sua cauda…cão tanso!
Eilas: Ela agora chora o tarifário…
Benedita: Para a próxima que iniciares uma música acaba-a!
Arff!

Parvo Louco

Os voláteis infelizes reclamam setas de bico de borracha, tão inofensivas como o chupa-chupa roubado pelo cobarde ao meu Elias, o meu estimado e peludo quatro patas, inocente e parvo. Parvo, digo e repito, parvo que não o é, mas parece. Pior louco é o que se julga louco igual aos outros. Sim, loucura saudável que nem uma couve verde, é coisa que se come, arrota, despeja e se quer lavrar na terra de novo. Louco em chão contaminado? Não obrigada!